Bruno Rolim, 42 anos, triatleta.

Bruno Rolim, 42 anos, triatleta.

Chamo-me Bruno Rolim, conhecido no desporto (e não só) como o Rolim! Podemos dizer que é um apelido já com alguma história no desporto em geral e no atletismo em particular. Fomentado por mim, seguido pelo meu irmão Emanuel Rolim a um nível superior e agora já testemunhado pelo meu filho mais velho Salvador Rolim, dedicado ao atletismo! No triatlo, o apelido ainda precisa de ser consolidado! 

Nasci e vivi numa aldeia à beira mar plantada, que se chama Atalaia, no concelho da Lourinhã! Pais agricultores, infância ao ar livre, campo e praia, proporcionaram muita liberdade, muitas aventuras e com isso muita atividade física “espontânea “ (diria que é exatamente isso que faz muito falta às crianças e jovens hoje em dia).

Iniciei-me no atletismo muito cedo. Ainda não tinha 10 anos e a minha mãe levou-me a participar nas corridas da terra… tomei-lhe o gosto e ingressei no clube de Ribamar e por lá passei muitos momentos bonitos, com muitas histórias para contar! Desde carrinhas que não pegavam de manhã e nos obrigavam a começar o dia a empurrá-las para ir para as provas, fugirmos para não sermos apanhados a roubar morangos para os lados de Ponte Rol, e muitas brincadeiras no mato por cima do estádio nacional... pelo meio, claro, tínhamos de participar nas corridas e lá me ia afirmando como um dos melhores do meu escalão a nível regional! Uns anos mais tarde, ingressei na equipa da Casa do Benfica da Lourinhã e depois de umas boas duas temporadas como iniciado, eu e mais alguns amigos ingressámos no Sport Lisboa e Benfica. Continuei a fazer bons resultados como juvenil, sendo no corta mato e na distância de 800m que obtive as minhas maiores conquistas a nível desportivo! Uma realidade totalmente diferente da que sempre vivi, o Benfica permitiu alargar horizontes e conhecer pessoas e atletas incríveis! A competitividade a nível nacional era grande e algumas questões de saúde a determinada altura limitaram o meu progresso, a entrada na faculdade em Leiria também me distanciou mais fisicamente, a desmotivação/desinteresse instalou-se e acabei por deixar a competição com 19 anos. No último ano ainda tive uma experiência no Grupo Desportivo das Neves - clube de Beja.
Depois desta fase, terminei a minha licenciatura mas continuei sempre a participar em provas populares, tendo feito a minha primeira maratona no ano 2011! Nem sabia bem ao que ia… primeira meia 1,30h, estoiro, segunda meia 1,41h… 

Em 2017 surge o convite por parte do Jorge Pina para ser treinador na escola de atletismo adaptado! Aceitei o desafio e até hoje que coordeno a escola, com a ajuda de mais uma treinadora da Associação Jorge Pina. Com o desafio de ser treinador surgiu também o desafio de ser guia do Abulai, atleta invisual que acompanho há já vários anos! O Abulai foi identificado como esperança Paralímpica e a responsabilidade aumentou! Temos vindo a trabalhar para que consiga mínimos para o projeto paralimpico e possa, num futuro próximo, conseguir participar em mundiais e/ou jogos paralimpicos!

Em paralelo, muito por “culpa” do João Freitas, meu cunhado, também me iniciei no triatlo e tem sido uma jornada muito interessante, que nem eu imaginava que seria possível… comecei a aprender a nadar e fui fazendo umas provas de sprints pelo meu clube, o histórico Vitória de Janes! Um grupo de amigos muito bonito, tem valido muito a pena!

No ano passado (2023) abracei, talvez o maior desafio da minha vida e fiz a distância full do triatlo, o conhecido IronMan e logo na “Meca” do triatlo na Europa: Roth (Alemanha)! E que experiência incrível… toda a preparação foi um desafio enorme, pela exigência física, de tempo e também psicológica! A prova é qualquer coisa de arrepiante que nos faz sentir uns verdadeiros homens de ferro! Pelo menos eu senti-me assim até ao km 25 na corrida. Sorri, sofri, sonhei, chorei, festejei… é um fernesim de emoções sem explicação! Recomendo.

Antes de Roth fiz a maratona de Lisboa, Antuérpia e Sevilha (em anos separados, claro… Quando levo um empeno demoro tempo a esquecer).
Esta última também com uma história “engraçada” pois tinha estado hospitalizado e devido a uma paragem cardíaca fiz vários exames médicos e com o aval do médico especialista, lá me fiz à estrada com muita cautela e ainda assim fiz uma prova muito certinha e a emoção de entrar na reta da meta e sentir “I’m alive “ com a minha família por perto (Joana, Salvador e Frederico que compreendem esta minha paixão…) foi das sensações mais poderosas que alguma vez senti… ia a correr e a chorar quase se fôlego para terminar a prova…

No ano passado ainda "ajudei" o Jorge Pina na aventura intitulada de “Pedalar pela Paz”, indo de Lisboa ao Vaticano em bicicleta tandem, pedalando 7 dias como guia!

E hoje escrevo este texto a partir de Itália - Maniago, onde vou participar com o Jorge numa prova de tandem na taça do mundo de paraciclismo!

Em resumo, o desporto faz-me bem, deu-me e continua a dar-me muitos amigos… fez e faz de mim uma pessoa melhor!

TODOS (mesmo aqueles com deficiências e/ou dificuldades financeiras) podemos e devemos praticar desporto, pela nossa saúde física e mental! Sem esquecer que devemos ser sempre felizes e fazer o que gostamos!

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