"´Todos temos 2 vidas. A segunda começa quando percebemos que só temos uma'.
Eu sempre admirei os triatletas. Afinal, nadar, pedalar e correr não é pra qualquer mortal. Achava que eles eram máquinas tanto na parte física quanto na mental e por isso, 9 anos atrás quando eu malemá corria 10km, eu coloquei na minha cabeça: "eu vou fazer um IRONMAN" que são 3.8km nadando, 180km pedalando terminando com uma maratona (42.195km) e tudo isso em até 15 horas. No começo, altamente motivado, eu fazia de tudo, mas as lesões vieram e a motivação foi embora onde eu não tive disciplina pra continuar e foi ai que atingi 120kg...
Trabalhando até 14 horas horas por dia, viagens, uma mudança para outro país, problemas financeiros, colocando minhas frustrações na comida, na bebida meu corpo simplesmente parou e, através de uma depressão onde eu cheguei a desistir da vida, ele disse "CHEGA". Foi aí que a minha "segunda vida" começou.
Ao contrário do que todo mundo pensa, não foi um processo rápido. Foi um processo lento, porém consistente. Comecei eliminando completamente a carne da minha dieta (... que sempre foi objetivo espiritual e tive que aturar inúmeras piadas e apelidos por causa disso até hoje), aprendi a controlar o consumo de doces e, aos poucos, reduzi o álcool que me trazia uma felicidade momentânea, mas me cobrava caro por isso no dia seguinte e implementei uma carga horária saudável no meu trabalho.
Fui perdendo peso aos poucos e vi que podia transformar o sonho do IRONMAN em um objetivo! Contratei um técnico que acreditou em mim e um nutricionista e segui tudo à risca onde meu objetivo era chegar para essa prova na melhor forma da minha vida construindo um corpo e mente a prova de porrada e foi o que eu consegui.
Cheguei pra prova pesando 74Kg sendo quase 46Kg a menos. A ficha simplesmente não caía afinal foram 2 anos treinando para aquele dia. Várias vezes durante a prova eu olhava pra trás a minha jornada e chorava sozinho. Lembrar de tudo o que eu passei me dava uma força surreal para aguentar toda a dor sempre sorrindo.
Faltando mais ou menos 1km para a linha de chegada eu já conseguia ouvir as pessoas no estádio gritando... a música... a atmosfera e simplesmente não acreditava naquele momento. O choro tomou conta e eu não conseguia mais nem respirar afinal ali eu consegui ver que aquele cara depressivo, com sobrepeso e triste tinha se transformado em um Ironman!
A mensagem final é: curta o processo, se apaixone pela transformação do seu corpo e não pela vaidade. Se apaixone pela sua capacidade mental de manter-se dentro de uma disciplina que te faz uma máquina poderosa ao ponto de transformar o seu corpo e fazer de você um indivíduo diferente.
Hoje eu tenho orgulho em dizer que o Triathlon salvou a minha vida."
